PNAB pode transformar Revelasom em realidade

Projeto visa gerar oportunidades para intérpretes

Por Augusto Figueiredo-Mix Radar music
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PNAB pode transformar Revelasom em realidade
Arquivo Mix Radar Music


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Revelasom propõe inclusão fonográfica no Sertão de Pernambuco. A iniciativa é do compositor e produtor fonográfico Ricardo Sena (Ayruã Tembé). O projeto prevê a gravação de um álbum com 12 faixas inéditas interpretadas por mulheres pessoas negras indígenas pessoas com deficiência e egressos do sistema prisional. A proposta busca ampliar o acesso desses artistas ao mercado fonográfico.

Idealizado a partir de um processo de curadoria artística o Revelasom será desenvolvido por meio da seleção de intérpretes mediante envio de vídeos e formulários. As etapas incluem gravação em estúdio lançamento nas plataformas digitais produção de 500 CDs físicos show coletivo de lançamento e registro em vídeo do processo de gravação. Parte dos CDs será vendida a preço popular com renda destinada a entidade beneficente enquanto outra parte será doada a bibliotecas públicas.

O projeto tem como base a experiência acumulada por Sena como produtor fonográfico. Como compositor e produtor lançou cerca de 30 músicas que somam aproximadamente 5 milhões de reproduções nas plataformas digitais. As gravações foram interpretadas pelas cantoras Faby Souza Fabiana Leite e Tainá Saraçol e pelos cantores Markes Brasil Roberio Pacheco e Erivelton Queiroz. Entre os destaques está a música Me Escute Bem em parceria com o compositor uruguaio Sergio Colombo que na voz de Markes Brasil ultrapassou 1 milhão de reproduções no Spotify. Todas as produções foram realizadas em parceria com a integradora musical Unick Music Brasil, sediada em São Paulo.

 

Trajetória

Sua trajetória tem início no Rio Grande do Sul, onde construiu os primeiros vínculos com a música ainda na juventude. Filho de pai baiano e mãe gaúcha foi registrado no estado a pedido do avô paterno figura central em sua formação. Foi com ele que aprendeu a tocar violão e iniciou o contato com a composição dando início a uma relação contínua com a música.

Descendente de povos originários Ricardo Sena pertence à Tribo Kantaruré, também conhecida como Pankararu. Essa ancestralidade indígena influencia sua visão de mundo e a forma como compreende a arte e a música como expressões coletivas ligadas à memória à identidade e à resistência cultural.

Atualmente Ricardo Sena reside há cerca de dois anos em Pernambuco, no município de Manari, localizado na região do Sertão, território no qual pretende executar o projeto Revelasom. Apesar do currículo consolidado e da trajetória profissional o compositor vive hoje uma situação financeira delicada, que evidencia a fragilidade da condição econômica enfrentada por grande parte dos artistas brasileiros. Após um processo de divórcio seu patrimônio foi reduzido e parte significativa dos recursos foi destinada ao pagamento de dívidas. Sem endereço físico fixo Sena encontra-se em situação de vulnerabilidade social, realidade que reforça a urgência de políticas públicas de fomento capazes de garantir continuidade artística e dignidade profissional.

Ricardo Sena é filiado à UBC e foi aluno do produtor Rick Bonadio. Concluiu o Curso Livre de Produção de Single EP e Álbum Musical oferecido pelo Centro de Cultura Linguagens e Tecnologias Aplicadas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, experiências que contribuíram para o aprofundamento técnico e estratégico de sua atuação profissional.

Ricardo Sena acredita que o Revelasom possa ser viabilizado por meio dos recursos da Política Nacional Aldir Blanc em Pernambuco. No edital pernambucano, a categoria Música prevê o apoio a 25 projetos, com investimento de R$ 50 mil por proposta. Para Sena, a eventual aprovação do projeto representa a chance concreta de gerar trabalho e renda no setor musical e ampliar oportunidades para intérpretes historicamente excluídos.

 

 

 

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